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terça-feira, 2 de junho de 2020

Psicologia em Construção - Vygotsky e a Psicologia Sócio Histórica

Oiiiii amores...😍

Tudo bem com vcs?!...

Então...como já pudemos perceber através dos nossos outros textos, a Psicologia é uma ciência em constante processo de construção, gerando uma permanente transformação teórica. Nascida na antiga União Soviética, embalada pela Revolução de 1917 e pela Teoria Marxista, falaremos hoje da Psicologia Sócio Histórica ou Psicologia de Orientação Sociocultural, formulada por Lev Semyonovich Vygotsky (1869-1934).

Surgiu no início do século XX e ficou restrita ao Leste Europeu até os anos 60, quando explodiu na Europa e nos Estados Unidos. Tal teoria buscava construir uma Psicologia que superasse as tradições positivistas e estudasse o homem e seu mundo psíquico como uma construção histórica e social da humanidade, ligando o mundo psíquico diretamente ao mundo material e às formas de vida que os homens vão construindo no decorrer da história da humanidade.

Ficaram animados?!... Vamos lá então... continuando...

A Psicologia Sócio Histórica tem como princípios:
  • A compreensão das funções superiores do homem (funções mentais que caracterizam o comportamento - atenção voluntária, percepção, a memória e pensamento) não pode ser alcançada pela psicologia animal, pois os animais não têm vida social e cultural;
  • As funções superiores do homem não podem ser vistas apenas como resultado da maturação de um organismo que já possui, em potencial, tais capacidades;
  • A linguagem e o pensamento humano têm origem social. A cultura faz parte do desenvolvimento humano e deve ser integrada ao estudo e à explicação das funções superiores;
  • A consciência e o comportamento são aspectos integrados de uma unidade, não podemos ser isolados pela Psicologia.
Vygotsky desenvolveu ainda, uma Teoria Marxista para a Psicologia (vejam que fantástico..rsrsr), que dizia:
  • Todos os fenômenos devem ser estudados como processos em permanente movimento e transformação;
  • O homem constitui-se e transforma-se ao atuar sobre a natureza com sua atividade e seus instrumentos;
  • Não se pode construir qualquer conhecimento a partir do aparente, pois, não se captam as determinações que são constitutivas do objeto. Ao contrário, é preciso rastrear a evolução dos fenômenos, pois estão em sua gênese e em seu movimento as explicações para sua aparência atual;
  • A mudança individual tem sua raiz nas condições sociais de vida. Assim, não é consciência do homem que determina as formas de vida, mas, é a vida que se tem que determina a consciência... (essa frase é top demais..😍😜...).


O "desembarque" da Psicologia Sócio Histórica no Brasil, se deu nos anos 80 através da Psicologia Social e da Psicologia da Educação e, a partir daí, vem se construindo, fundamentalmente, pela crítica à visão liberal de homem, na qual encontramos ideia do homem como ser autônomo, responsável pelo seu próprio processo de individualização, criando uma relação de antagonismo entre o homem e a sociedade, em que faz eterna oposição aos anseios que seriam natural do homem. Uma visão de fenômeno psicológico, na qual este é tomado como uma entidade abstrata que tem, por natureza, características positivas que só não se manifestam se sofrerem impedimentos do mundo material e social. O fenômeno psicológico, visto como enclausurado no homem, é concebido como um verdadeiro eu.




A Psicologia Sócio Histórica entende que essas concepções liberais construíram uma ciência na qual o mundo psicológico foi, completamente, deslocado do campo social e material. Esse mundo psicológico passou, então, a ser definido de maneira abstrata, como algo que já estivesse dentro do homem, pronto para se desenvolver - semelhante à semente que germina....(olhem que fofa esse imagem abaixo... nos pensar assim, nos constituindo/construindo... ohhh muito lindo..rsrsr)

Pin em spiritual maturity


Sendo assim, os teóricos da Psicologia Sócio Histórica, no Brasil, buscam construir uma concepção alternativa à liberal, refletindo a partir de algumas ideias fundamentais que apresentamos abaixo para vocês:
  • Não existe natureza humana - não existe uma essência eterna e universal do homem, que no decorrer de sua vida se atualiza, gerando suas potencialidades e faculdades. Tal ideia de natureza humana tem sido utilizada como fundamento da maioria das correntes psicológicas e faz, na verdade, um trabalho de ocultamento das condições sociais, que são determinantes das individualidades. Contrariando as leis da Psicologia Sócio Histórica, pois, como bem sabemos, o indivíduo é construído ao longo de sua vida a partir de sua intervenção no meio e da relação com os outros homens.

Fundação Cecierj a changé sa photo de... - Fundação Cecierj | Facebook


  • Existe a condição humana - a concepção de homem da Psicologia Sócio Histórica pode ser assim sintetizada: o homem é um ser ativo, social e histórico. É essa sua condição humana. O homem constrói sua existência a partir de uma ação sobre a realidade, que tem, por objetivo, satisfazer suas necessidades. Mas, essa ação e essas necessidades têm uma característica fundamental: são sociais e produzidas historicamente em sociedade. As necessidades básicas do homem não são apenas biológicas, elas, ao surgirem, são imediatamente socializadas. Assistam ao vídeo abaixo para maiores esclarecimentos ...😜.. é rapidinho e muito interessante!

Pirâmide das Necessidades Humanas - Maslow



O trabalho é a atividade básica do homem. Através da atividade, o homem produz o necessário para satisfazer essas necessidade. A atividade de cada individuo, ou seja, sua ação particular, é determinada e definida pela forma como a sociedade se organiza para o trabalho. Entendido como a transformação da natureza para a produção da existência humana, o trabalho só é possível em sociedade (não é?!..rsrsr).

É um processo pelo qual o homem estabelece, ao mesmo tempo, relação com a natureza e com os outros homens. Essas relações determinam-se reciprocamente. Portanto, o trabalho só pode ser entendido dentro de relações sociais determinadas. São essas relações que definem o lugar de cada indivíduo e a sua atividade. Por isso, quando se diz que o homem é um ser ativo, diz-se, ao mesmo tempo, que ele é um ser social e histórico.

  • O homem é criado pelo homem - não há uma natureza humana pronta, nem mesmo aptidões prontas. A "aptidão" do homem está, justamente, no fato de poder desenvolver várias aptidões. Esse desenvolvimento se dá na relação com os outros homens através do contato com a cultura já constituída e das atividades que realiza neste meio. Os objetos produzidos pelos homens materializam a história e cristalizam as "aptidões" desenvolvidas pelas gerações anteriores. Quando os manuseia e deles se apropria, o homem desenvolve atividades que reproduzem os traços essenciais das atividades acumuladas e cristalizadas nos objetos. Nas relações com os outros homens ocorre a "descristalização" destas possibilidades. Esse processo acontece com todas as suas aptidões. Portanto, é do instrumento e das relações sociais, nas quais esse instrumento é utilizado, que o homem retira suas possibilidades humanas.

Charge: Teste de aptidão. -


A linguagem é instrumento fundamental nesse processo e, como instrumento, também é produzida social e historicamente, e dela também o homem deve se apropriar. A linguagem materializa e dá forma a uma das aptidões humanas: a capacidade de representar a realidade. Juntamente com a atividade, o homem desenvolve o pensamento.

Através da linguagem, o pensamento objetiva-se, permitindo a comunicação das significações e o seu desenvolvimento. Quando se apropria da linguagem enquanto instrumento, o indivíduo tem acesso a um mundo de significações historicamente produzido. Esse processo de apropriação do mundo social permite o desenvolvimento da consciência do homem.

Assistam ao vídeo...



  • O homem concreto é objeto de estudo da Psicologia - para conhecer o homem é preciso situá-lo em um momento histórico, identificar as determinações e desvendá-las. Para entender o movimento contraditório da totalidade na qual se encontram os indivíduos, deve-se partir do geral para o particular - para o processo individual de relação entre atividade e consciência. É necessário perceber o singular e seu movimento como parte do movimento geral e, ao revelar essas mediações, compreender não só o geral, mas o particular. É dessa forma que o indivíduo deve ser entendido pela Psicologia fundamentada no materialismo histórico e dialético. O vídeo, a seguir, melhor explica essa abordagem...


  • Subjetividade social e subjetividade individual - os fenômenos sociais não são externos aos indivíduos nem são fenômenos que acontecem na sociedade e pouco tem que ver com cada um de nós. Os fenômenos sociais estão, de forma simultânea, dentro e fora dos indivíduos, isto é, estão na subjetividade individual e na subjetividade social.

A subjetividade deve ser compreendida como "um sistema integrador do interno e do externo, tanto em sua dimensão social, como individual, que por sua gênese é também social... A subjetividade não é interna nem externa: ela supõe outra representação teórica na qual o interno e o externo deixam de ser dimensões excludentes e se convertem em dimensões constitutivas de uma nova qualidade do ser: o subjetivo. Como dimensões da subjetividade ambos (o interno e o externo) se integram e desintegram de múltiplas formas no curso de seu desenvolvimento, no processo dentro do qual o que era interno pode converter-se em externo e vice-versa."
Subjetividade: significados e definições - Definição.net


A subjetividade individual representa a constituição da história de relações sociais do sujeito concreto dentro de um sistema individual. O indivíduo, ao viver relações sociais determinadas e experiências determinadas em uma cultura que tem ideias e valores próprios, vai se constituindo, ou seja, vai construindo sentido para as experiências que vivencia. Este espaço pessoal dos sentidos que atribuímos ao mundo se configura como a subjetividade individual.


A subjetividade social é exatamente a aresta subjetiva da constituição da sociedade. Refere-se "ao sistema integral de configurações subjetivas (grupais ou individuais), que se articulam nos distintos níveis da vida social (...)."



Finalizando...

Para a Psicologia Sócio Histórica, não há como se saber de um indivíduo sem que se conheça seu mundo. (achamos que tá bom por aqui... nem precisamos continuar o parágrafo..rsrsr... enfim....) Para compreender o que cada um de nós sente e pensa, e como cada um de nós age, é preciso conhecer o mundo social no qual estamos imersos e do qual somos construtores.

É preciso investigar os valores sociais, as formas de relação e de produção da sobrevivência de nosso mundo, as formas de ser de nosso tempo. Entender que os fenômenos do mundo psíquico não são naturais do mundo psíquico, mas, fenômenos que vão se constituindo conforme o homem atua no mundo e se relaciona com os outros homens.

O mundo social deixa de ser visto como um espaço de oposição a nossas vontades e impulsos, passando a ser visto como o lugar no qual nosso mundo psicológico se constitui.

Nooossaaaaa... esse final foi top demais não é mesmo?!... foi tipo mais que esclarecedor... rsrsrs..

Bom nossos queridos... mais uma reflexão lançada!... Como assim?!... onde está a pergunta para a reflexão?!.. Nossa resposta para vocês é a seguinte: Está onde vocês estão... onde nós estamos... na sociedade que atuamos... em nossa atuação na sociedade... na nossa construção, seja individual ou social... ela simplesmente está... no mundo no qual estamos... no mundo em que nós está!!!!...

Bjoooo amores...😘

Camila e Eliana







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